Educando nossos jovens

Abidan escreve todas as primeiras segundas-feiras de todo o mês sobre educação.

O Corona vai adiar o Enem?

A pandemia do Coronavírus tem mudado nossas vidas completamente. No mundo da educação não tem sido diferente: escolas foram fechadas, alunos estão recebendo cestas básicas em casa e o governo do estado de São Paulo criou um aplicativo para amenizar o período sem aulas. No fim do ano, todos os alunos de ensino médio tem uma etapa muito importante da vida escolar que é o enem e o próprio INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) cogita adiar a prova por conta do corona. Na minha opinião, essa é a medida mais acertada. 

Inicialmente, o calendário oficial do Enem é o seguinte: as provas vão ser aplicadas digitalmente nos dias 11 e 18 de outubro e, o modelo tradicional, será dia 1 e 8 de novembro. 

Eu acredito que o empecilho imediato para a manutenção do calendário do enem é o fato de que, devido ao isolamento social, estima-se que os alunos percam cerca de 100 dias de aula, ou seja, metade dos dias letivos. Dessa forma, o cronograma das escolas e professores vai ser gravemente comprometido e, por isso, não faz sentido fazer o maior exame do país sem que os alunos tenham a oportunidade de ter todo o conteúdo programado. 

O segundo fator relevante é que a manutenção da prova nos mesmos dias que haviam sido pensados vai aumentar a desigualdade educacional entre os alunos da rede pública e privada, pois, enquanto os alunos da rede pública estão sujeitos a estudar com infraestrutura precária  como internet ruim, falta de computador, falta de um local para estudar, sem apoio familiar, os alunos das escolas privadas têm todos esses recursos disponíveis. 

Com todos esses problemas em vista, algumas sugestões estão surgindo. A mais falada e até cogitada pelo INEP é de atrasar de 15 a 20 dias a data da prova. Uma medida mais radical seria realizar o Enem apenas em 2021. De toda forma, a adequação das datas do enem deve ser acompanhada de uma reorganização do calendário escolar quando as aulas voltarem no modo que foi feito em 2009 com a epidemia da Gripe Suína (H1N1), ou seja, repondo aulas perdidas e talvez enxugando o próprio currículo para alinharmos a realidade imposta pelo corona e as expectativas criadas por nós. 



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