Para superar perda, morador do Vila Indiana faz homenagem em ponto de ônibus a filho que morreu

Por Natália Bassi e Sandra Pereira | 23/11/2020

Para tentar superar a dor da perda, o morador da Vila Indiana, Amilton Chininha, de 33 anos, decidiu homenagear o filho que morreu na tentativa de manter sua memória viva. Quem passar pela rua Indiana verá a imagem de Luis Felipe, de 22 anos, estampada em um muro ao lado de um ponto de ônibus com os dizeres “viverá para sempre”. Diversos enfeites de Natal também foram colocados no local.

O jovem rapaz, que era trabalhador, honesto, educado, simples, como o pai o descreve, faleceu no dia 4 de novembro após cair do telhado de um empreendimento na cidade de Mogi das Cruzes enquanto colocava enfeites de Natal no. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. 

“Eu perdi meu chão, mas ao invés de desistir, eu tentei levantar a cabeça, fazer alguma coisa diferente para meu filho ser lembrado”, disse Amilton, que mora há quase 40 anos no bairro. Já Luis morava em Mogi das Cruzes, mas sempre estava com o pai. “Cada enfeite que eu coloquei naquela rua foi pensando nele, pensando que ele morreu trabalhando com decoração de Natal'', completou.

Com a pandemia, o rapaz foi demitido da empresa de telemarketing onde trabalhava e precisou conseguir uma alternativa para não ficar desempregado, no entanto, acabou perdendo a vida em um acidente de trabalho. Luis estava tirando sua primeira habilitação e uma das últimas mensagens que trocou com o pai foi para falar sobre sua prova prática de direção. 

“Para mim foi muito difícil. Era um filho maravilhoso, era exemplo. Bonito, educado, serviu o exército, estava frequentando a igreja, não bebia, não fumava.  Perder ele para mim foi uma bomba, a ficha ainda não caiu”, disse. Amilton visita todos os dias o túmulo de Luis, que foi enterrado no Cemitério Valle dos Reis. 

A homenagem a Luis Felipe ganhou fama no bairro e diversos moradores se comoveram com a dor de Amilton. “Ali é um ponto de referência, as pessoas passam, tiram foto, conversam comigo, choram comigo”, disse. 

Maria Cristina foi uma das vizinhas que se emocionaram com a atitude de Amilton. Ela sempre passava no ponto e via a imagem de Luis Felipe, mas não sabia quem ele era e nem o que tinha acontecido. Até que um dia, passando pelo local, ela viu Amilton colocando os enfeites e decidiu parar para ouví-lo.

“Eu estava sentada no ponto e tinha um senhor lá também. Ai, ele levantou, começou a mexer nos enfeites. Eu perguntei se ele era parente do rapaz e ele disse que era o pai dele e contou toda a história. Eu achei lindo, inusitado o que ele fez. Não pode passar batido, as pessoas têm que ver e se comover com a história dele. Eu cheguei até a chorar depois que me contou”, relatou.

Com a ação, Chininha diz que quer mostrar para as pessoas não abaixarem a cabeça por uma perda. “As pessoas têm o seu valor. Eu creio que aquele que é bom viverá para sempre”, finalizou Amilton emocionado. “Eu digo para ele sempre quando vou visitá-lo que nunca vou o abandonar, mesmo ele não estando mais aqui, sempre será meu filho, vou estar ao lado dele até a minha morte”, finalizou.  



 

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