Samu de Taboão recebe quase 1900 trotes durante quadrimestre e tem atendimento de urgência prejudicado

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 26/11/2018

As ligações falsas, conhecidas como trotes, têm sido um grave problema enfrentado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Taboão da Serra. A informação, divulgada durante Audiência Pública de Sáude na última quinta-feira, dia 22, pela secretária de Saúde do município, a dra. Raquel Zacaner, mostra que 16% das ligações recebidas pelo Samu no último quadrimestre eram notificações falsas. 

"A gente insiste em toda audiência pública em pedir para a população e a todos que estão presentes [...] para não passarem trotes ao Samu porque vocês ou alguém da sua família podem um dia precisar e o Samu não chegar porque está atendendo a um trote", pediu a secretária.

De acordo com os dados divulgados, o SAMU da cidade recebeu, de maio a a agosto deste ano, 11.662 ligações. Destas, quase 1900 eram alertas falsos. As que se reverteram em atendimento ficou em torno de 7.400 e as que foram apenas orientações o número não ultrapassou 2.500. Mensalmente, dos quase 3000 chamados, o número de trotes varia entre 348 a 500.

As falsas notificações causam um prejuízo grande ao atendimento de emergência. Um deles é que um pedido de socorro falso pode ocupar a linha telefônica enquanto uma ocorrência de verdade precisa acionar uma equipe. Outro, ainda pior, é deslocar uma ambulância em direção a um chamado que foi trote e, assim, fazer com que uma chamada verdadeira tenha que esperar. 

Além de colocar a vida de alguém que realmente necessita de atendimento médico com urgência em risco, o trote a serviços de emêrgencia também é considerado crime, conforme o artigo 340 do Código Penal, que diz que "provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado". Para quem for pego cometendo esta infração, a pena pode chegar a seis meses de prisão ou multa.

Um outro pedido feito pela dra. Raquel aos munícipes durante a audiência foi para que eles, ao acionarem o Samu, fizessem isso por um telefone fixo, já que as ligações feitas por celular podem ocasionalmente cair no serviço da capital."Tem lugares que o sinal não pega bem, e muitas vezes chamadas para o Samu de celular caem em São Paulo, não em Taboão. Diversas vezes as pessoas reclamam que demorou o recebimento do serviço no local", diz ela enquanto explica que isso se deve ao fato de que a ambulância que se desloca para o local está vindo de um lugar mais longe, já que a chamada foi atendida por um serviço de fora da cidade. 

"Além de ter a questão do da mobilide urbana, que é problemática em horários de pico, não recebemos muitas chamadas no Samu de nossa cidade, por isso sempre orientamos a ligar de telefone fixo. As pessoas me perguntam para que serve orelhão hoje em dia, e eu respondo que orelhão serve para isso", completa a secretária.

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