Menor é detido após ataque homofóbico a cabeleireiro
Palavras de baixo calão, ameaças, insultos quanto à opção sexual, arremessos de pedras contra seu estabelecimento comercial, escarros e cuspe. Esta era a rotina do cabeleireiro R.J.B., 29 anos, até a tarde desta quarta feira, 16, quando resolveu dar um basta, e apelar para a intervenção da Justiça, para garantir um direito já previsto na Constituição Federal (CF).
Homossexual assumido, “e sem nenhum problema com isso”, é vítima constante de ataques contra si, e mesmo seus clientes, liderados de G.S.B., 17, e por meia dúzia de colegas da mesma faixa etária, no salão de cabeleireiro que mantém na avenida Fernando Fernandes, no Jardim Mituzi, em Taboão da Serra, há três anos.
O adolescente foi detido por volta das 14h30, após denuncia feita à central da Guarda Civil Municipal (GCM), pelos agentes Letícia e J. Oiveira, condutores da ocorrência. O controle do menor só foi possível graças à intervenção de outros dois guardas, os GCM’s Baracy e Teodoro que o imobilizaram depois de resistência e insultos.
“Eu só quero trabalhar em paz”, desabafa, por volta das 20h, no 1º DP do município, depois de perder um dia de trabalho e suportar várias investidas seguidas do menor infrator e sua turma, apenas nesta quarta. “Não dava mais. Estava no meu limite”, conta. Ele afirmou ainda que o menor fazia gesto de empunhar uma arma na mão em ameaça.
O adolescente negou a versão da vítima e disse que “era apenas uma brincadeira quando provocava R.J.B. batendo no vidro” e que o cabeleireiro se irritou, correndo atrás dele, quando fez os gestos de ameaça e ofensa. A versão dele, no entanto, é contestada pela irmã, a manicure L.V.B., 37, parceira dele no salão que diz serem constantes as ofensas.
“Tem outros salões na avenida. O problema é com o nosso”, conta. O cabeleireiro afirma, porém, que as ações crescem e outros locais têm sido alvos dos vândalos. “Sou a principal vítima, creio, mas de maneira geral está insuportável”, diz R.J.B., que não se intimida. “A vendedora de doces baixa as portas e vai chorar. Não farei o mesmo”, garante.
Compareceram à delegacia, agentes do conselho Tutelar do município, dispensados após chegada da mãe do menor infrator, a babá Aneleide Gonçalves Araújo, 37. O menor responderá por ato infracional consistente em injúria, crime contra a honra, que, em tese, aplica-se a pena de detenção, de um a seis meses, ou multa.
Apesar da coragem em levar a diante a denúncia, R.J.B. a irmã e seu companheiro, temem retaliação e apontam a redução da maioridade penal, alvo de discussões e polêmicas como uma das possíveis solução para ações desta natureza. “São adultos o suficiente para cometer crimes. Devem também ser para responder por seus atos”, justificou.
O incidente aconteceu na véspera do Dia Internacional de Combate à Homofobia, comemorado hoje, 17 de maio, reservado, também, no Calendário Oficial de Embu das Artes. Até a publicação desta matéria a reportagem não havia conseguido contato com Wanderley Bressan, presidente da ONG LGBT Diversitas de luta contra a homofobia no município.
Hoje também é lançada, a nível nacional, a campanha para angariar 1 milhão e 400 mil assinaturas para apresentar o Estatuto da Diversidade Sexual por iniciativa popular. Nesta data, todas as Comissões da Diversidade Sexual da OAB vão iniciar a coleta de assinaturas. Em Taboão, a 211ª Subseção está localizada na Rua Lázaro Coelho dos Santos, 138.
