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Moradores de área de risco em Itapecerica reclamam de ordem de despejo da prefeitura

Karen Santiago e Sandra Pereira | Atualizado em: 20/01/2010 09:00:16
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Prefeitura fechou acesso às casas temendo novas tragédias

Após o deslizamento de terra que causou a morte de quatro crianças no dia 04 de Dezembro do ano passado, as famílias que continuam morando no Recreio Primavera em Itapecerica da Serra esperam sem saber o que fazer em relação a ordem de despejo dada pela Prefeitura de Itapecerica da Serra na última sexta-feira, 15. De acordo com os moradores, que estão revoltados com a situação, a Prefeitura deu prazo de 72 horas para a retirada de todos os pertences e a mudança das famílias. “A Prefeitura entregou um papel de despejo e numerou as casas que estão na área de risco”, conta Ângela Pereira dos Santos, falando em nome dos moradores. De acordo com ela, a Escola Municipal Pitassilgo serviu de refúgio por mais ou menos 15 dias para alguns moradores do morro que corriam o perigo de ter a casa demolida. Esse foi o caso de Ângela que mora no morro há três anos. “No começo não faltava alimento no abrigo, as igrejas ajudavam, os amigos e a Prefeitura, sem contar nos colchões e cobertores, mas depois de 5 dias, os alimentos foram cortados, tive que comprar com o meu dinheiro tudo que era necessário para sobreviver”. Ela afirma que voltou a morar no morro, porque não tem outro lugar para instalar a sua família. Os moradores informaram que tiveram que sair da escola porque a Prefeitura obrigou alegando que era preciso reiniciar as aulas. “O próprio prefeito cortou a alimentação”, denuncia Ângela em tom de revolta. A Prefeitura ofereceu por três meses cesta básica para as famílias. Os moradores afirmam que só têm duas opções: continuam no morro ou mudam para a casa de parentes, porque até agora a prefeitura não se manifestou sobre o que fará com os munícipes daquela região. Apesar da revolta os moradores reconhecem o apoio dado pelos vereadores José Maria e Tonho Paraíba, que segundo eles, frequentemente vistam o local. A avó de Daiane e Andrieli, duas das crianças mortas no deslizamento conta que está morando de favor na casa de uma amiga ali mesmo perto da tragédia. Ela lembra emocionada que as netas eram crianças adoráveis. “Não estou conseguindo dormir direito, minha filha mudou daqui porque não estava mais conseguindo viver no local onde as filhas morreram”, relata. Os moradores estão na expectativa de se reunir com o prefeito Jorge Costa para tratar do assunto ainda essa semana.

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