PM acusado de decapitar 2 é condenado em Itapecerica

Emoção, alívio e sentimento de justiça marcaram mais um julgamento de um policial militar, apontado pelo Ministério Público como integrante de um grupo de extermínio (Highlanders), que foi julgado e condenado a 28 anos de reclusão em regime inicialmente fechado, na tarde desta quinta-feira (15), no Fórum de Itapecerica da Serra. O policial responderá por duplo homicídio, duplamente qualificado, motivo torpe e sem defesa das vítimas.

O PM Ronaldo dos Reis Santos, conhecido como R.Santos estava sob acusação de ter matado duas pessoas há quase três anos.  Os corpos das vítimas Roberth Sandro Campos Gomes, o Maranhão, e de Roberto Aparecido Ferreira, o Bebê, foram achados em 6 de maio de 2008. A denúncia feita pela Promotoria aponta que as vítimas foram mortas porque “estavam envolvidas em atividades espúrias [tráfico de entorpecentes] e faziam parte de uma facção criminosa”.

A absolvição, em júri popular dos policiais militares João Bernardo da Silva e Jorge Kazuo Takiguti no dia 17 de março deste ano acabou assustando os familiares das vítimas e também o advogado de Roberth, o Maranhão, segundo relato a reportagem do Jornal na Net.

“Apesar de todas as provas eles foram absolvidos, acabei me preocupando. Mas, as provas contra R.Santos estavam contundentes. Havia delação confirmada, apreensão de objetos, entre eles um machado, que ele (acusado) pediu para os outros PMs guardarem. Ele acabou confessando”, afirmou o promotor Marcelo Alexandre Oliveira.

Lucilandra Campos, irmã de Roberth Sandro, o Maranhão, frisou que está aliviada com a condenação de R.Santos. “Está é somente uma parte da vitória, resposta positiva. Os outros dois (PMs João Bernardo e Jorge Kazuo) foram absolvidos foi a parte negativa. Acredito na justiça”, disse. Ainda segundo ela, a procura de seu irmão durou um ano. “Fomos ao IML, Hospitais e nada, até o momento que tivemos a resposta da polícia civil”, finalizou.

Sete jurados decidiram o futuro do policial R.Santos, que já responde ao processo preso. A sentença foi dada pelo juiz Antonio Augusto Galvão Hristov por volta das 16h30, após sete horas de julgamento.

Durante a manhã foram ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa. Após, na parte da tarde aconteceram os debates orais do promotor Marcelo Alexandre Oliveira e do advogado de Santos, Eugênio Malavasi.

Conheça o Grupo de Extermínio

A denúncia feita pelo Ministério Público aponta que o grupo de extermínio é formado por dez policiais. Quatro deles já foram julgados e condenados.

Esse é o terceiro julgamento envolvendo o grupo de policiais que ficou conhecido como "highlanders". No primeiro julgamento, em julho de 2010, o PM Rodolfo da SilvaVieira, Moisés Alves dos Santos, Joaquim Aleixo Neto e Anderson dos Santos Salles foram condenados a 18 anos e oito meses de prisão pela morte de um deficiente mental.

Os "highlanders" só foram identificados depois do desaparecimento dessa vítima (um deficiente mental). Ela foi vista por testemunhas sendo colocada em um carro da PM (Força Tática do 37º Batalhão) em outubro de 2008. O corpo deste rapaz foi localizado dois dias depois sem a cabeça e as mãos. As vítimas moravam na capital, mas foram achadas mortas em Itapecerica da Serra.

O nome "highlander" surgiu em alusão ao filme estrelado por Christopher Lambert e Sean Connery na década de 80, no qual os guerreiros cortavam a cabeça de seus inimigos. De acordo a Polícia Civil, que investigou o crime, a cabeça e as mãos das vítimas eram cortadas pelos policiais militares para dificultar a identificação.

Comentários