PM recebe medalhas MMDC e Constitucionalista em Itapecerica
Emoção e reconhecimento marcaram a entrega das medalhas MMDC e Constitucionalista referente ao movimento de 1932 aos policiais militares de Itapecerica da Serra condecorados no Hotel Del Verde no início do mês. A história conta que um grupo de jovens oficiais da Força Pública, atual Polícia Militar tentou modificar sem êxito a situação de ditadura e repressão do governo comandado por Getúlio Vargas, presidente da república, em 31, e acabaram presos.
Major Wágner, capitães Prado e Júlio, cabo Graziano e soldados Otaviano, Atílio, Carlos Roberto, e os empresários Hideo Kuramoto (Companhia Folhas Produtos Hidropônicos) e Itacyr Turmina (Churrascaria Caminhos do Sul) receberam a medalha MMDC. Já o 3º sargento Lucci foi condecorado com a medalha Constitucionalista.
Familiares e amigos acompanharam a entrega das medalhas e compartilharam juntamente com os policiais a alegria e satisfação da conquista.
Sargento Lucci recebe medalha constitucionalista
Capitão Júlio medalha MMDC
Conheça o movimento
O movimento de 1932, que, teve seu início em outubro de 1930, em razão do descontentamento do povo paulista em relação à maneira extremamente ditatorial e repressiva com que o então Presidente da República, Getúlio Vargas, comandava o país.
Diante desse quadro, em abril de 1931, um grupo de jovens Oficiais da então Força Pública de São Paulo, atual Polícia Militar, tentou modificar a situação da época, o que infelizmente não conseguiu. Foram presos e encarcerados.
Em 23 de maio de 1932, na Praça da República, no centro de São Paulo, ocorreu um conflito armado que resultou nas mortes dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Um quinto, Alvarenga, morreria semanas após. Entre outros, estes realizavam uma manifestação pública contra o Governo Federal. Foi a partir daí que surgiu o Movimento MMDC, que passou a exercer importantíssimo papel no episódio de 32, dentre os quais o de preparar, secretamente, uma luta armada contra a ditadura.
Por ser, o Estado de São Paulo, a maior potência do país, e não suportando mais o intervencionismo e a ingerência direta do governo de Getúlio Vargas, em 09 de julho de 1932, houve o início da Revolução, com o apoio de apenas um Estado brasileiro: Mato Grosso.
Durante 85 dias de batalha os 35.000 homens das tropas paulistas, dentre estes, inúmeros civis voluntários, combateram os 100.000 homens das Tropas Federais, onde resultou oficialmente 830 vítimas fatais, sendo que 1/3 dos mortos eram da Força Pública.
Em razão da falta de armamento, os engenheiros paulistas criaram a famosa “matraca”, uma caixa com manivela que produzia um alto som, semelhante ao de uma metralhadora, o que fez com que as Forças Federais, numericamente superiores à paulista, fossem detidas em razão do ‘poderoso armamento paulista’.
O Movimento Constitucionalista de 1932, sem dúvida, foi um brado à liberdade e à democracia, pois os sentimentos e os desejos dos paulistas permaneceram vivos na alma de cada um, mesmo após o silêncio dos canhões, uma vez que, em 1934, em razão da Revolução de 32, a Assembléia Nacional Constituinte foi convocada, dando a São Paulo, e aos paulistas, a verdadeira vitória do campo de batalha, a restauração da Democracia, havendo um único beneficiado: o Brasil.
Em 1997, durante o Governo de Mário covas, com a edição da Lei Estadual Nº 9.497, foi instituído o dia “9 de julho” como feriado civil e data magna do Estado de São Paulo.
