Tristeza e dor no sepultamento das quatro crianças soterradas em Itapecerica da Serra
Lágrima, emoção, luto e tristeza. Foi assim a sexta-feira, 04, no Jardim dos Reis, no extremo sul de São Paulo, próximo à divisa com Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Toda a comunidade sentiu a morte das quatro crianças soterradas pelo deslizamento ocorrido na quinta-feira.
As quatro crianças foram sepultas nesta sexta-feira por volta das 16h35 no cemitério Parque do Ipês, em Itapecerica da Serra.
A tragédia que marcou a região vai permanecer na lembrança dos moradores, especialmente dos pais das crianças mortas .
O temporal de quinta-feira tarde, foi a gota d água para o deslizamento de terra, que causou as quatro mortes. A tragédia só não foi maior porque os moradores conseguiram salvar uma adolescente de 13 anos, que foi resgatado com vida.
Quando o temporal começou, estavam dentro da casa que ficava em um morro, a adolescente de 14 anos e a irmã dela, de 13. Elas são irmãs do menino morto. Todos os dias, elas tomavam conta do caçula, que não tinha ido à escola por causa da chuva.
Elas olhavam também duas filhas de uma vizinha. As meninas tinham 5 e 9 anos.
Os cinco ficavam sempre sozinhos enquanto os pais trabalhavam. Apenas uma das adolescentes sobreviveu.
A Escola Josefina Cintra Damião perto do local, serviu de refúgio para os moradores na noite de quinta-feira, após o desabamento. A prefeitura cedeu colchão, cobertores para que as famílias ficassem protegidas.
Na sexta-feira a dúvida tomou conta das famílias que não sabiam onde vão ficar. “Prometeram colocar a minha família na igreja, mas até agora ninguém veio falar nada, não temos certeza para onde vamos”, garante Priscila Vieira.
Priscila afirma que a Defesa Civil interditou 40 barracos, e informou que outro deslizamento pode acontecer a qualquer momento, portanto a área é de risco.
Para Claudia Conceição, 32 anos, a prefeitura podia cobrar um pouco daquelas pessoas que estão em área de risco, mas dar uma vida digna a elas, por exemplo, doa um terreno (em terra plana) e cobrar luz, água, por exemplo.
Claudia afirma que a menina de 13 anos estava na cozinha no momento do deslizamento, “ela ficou prensada entre o armário e a maquina de lavar”.
Wagner Barbosa relata com muita emoção o momento que foi crucial no deslizamento: o salvamento da adolescente. “Consegui salvá-la, mas infelizmente não foi possível salvar as outras crianças, fico muito triste por isso”, lamenta.
No local uma parcela dos moradores se mostrou insatisfeita com o vereador Tonho Paraíba. Segundo eles o vereador teria feito várias promessas para a comunidade local e até o momento não havia cumprido as mesmas. “No cemitério, o vereador disse que viria até aqui, para resolvermos para onde vamos” garante Ariana Pinto.
