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Uma reflexão sobre a data
Quando se fala a respeito do Dia da Consciência normalmente vem à tona opiniões divergentes sobre a data. Há quem defenda o feriado como forma de reconhecimento pelas lutas dos negros que literalmente construíram o Brasil com os braços, suor e sangue. Também há os que defendam que a data não tem significado nenhum e não serve para compensar os descentes dos sofridos escravos do Brasil.
Qual das duas correntes é a mais coerente? Esse questionamento acaba sendo comum quando a pessoa se depara com ambos os pontos de vista.
A dualidade pode até existir mas deve tirar o foco das questão principal: fomos o último País a acabar com a escravidão. Demoramos demais a aceitar a liberdade como um valor universal e quando o fizemos deixamos que ela se transformasse em abandono, falta de oportunidade, mendicância e preconceito.
Na verdade a escravidão está enraizada em nossa sociedade. Frequentemente vemos casos de homens e mulheres que continuam sendo tratados como escravos. Seja em uma remota fazenda do interior do Brasil onde o proprietário usurpa os direitos, ou, em apartamentos e residências de luxo onde trabalhadoras domésticas são mantidas quase que em cativeiro. Em ambas as condições fica claro que a liberdade ainda precisa ser garantida seja por força policial ou pela justiça.
Talvez uma forma de equilibrar essa situação tão desigual seria reafirmar o princípio de que é necessário dar a todos o mesmo ponto de partida. O mesmo tratamento. As mesmas oportunidades. Mas, não se pode negar o preconceito. Ele existe e está consolidado no nosso meio, disfarçado sob o manto da hipocrisia e da aceitação. Explícito nas estatísticas que comprovam a distância quase secular entre negros e brancos na qualificação profissional e mercado de trabalho.
O Dia da Consciência Negra, portanto, é mais que um simples feriado. É uma data para reflexão, protesto, aceitação dos outros e das diferenças. É um dia contra o preconceito de cor, raça, pele, nacionalidade, religião, cultura. Um dia em favor da igualdade e da conscientização de que todos somos iguais nos dois momentos mais marcantes da vida humana: o nascimento e a morte.
Nem mesmo os mais abastados podem fugir dessa realidade. Essencialmente somos iguais!
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