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Sete são presos por corrupção em Taboão

Por Outro autor | 3/05/2011

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Karen SantiagoDelegado Raul Godoy prendeu os vereadores Arnaldinho, Carlos Andrade, Eloi e o presidente do PV em Taboão, Milton Andrade

A fraude milionária, segundo a Polícia, envolvendo os vereadores Carlos Andrade (PV), Arnaldinho da Imobiliária (PSB) e José Luiz Eloi (PMDB) continua sendo o assunto mais comentado na região. A Polícia Civil de Taboão da Serra  prendeu mais três envolvidos na madrugada desta quarta-feira (4).

Bruno Camargo Bolfarine, responsável pela emissão da dívida ativa, Celso Santos Vasconselos, o Binho, fornecedor de alimentos da prefeitura e Turibio Antônio de Castilho, ex-diretor do cadastro da prefeitura estão detidos na Seccional de Taboão da Serra. A Polícia acredita que o esquema nasceu na gestão de Turibio, em 2005.

De acordo com a Polícia, mais quatro mandatos de prisão ainda serão cumpridos. Vários computadores, um carro avaliado em R$ 100 mil  e documentos, inclusive da sede do PV (Partido Verde) de Taboão da Serra foram apreendidos.

Saiba mais sobre o caso:

A Delegacia Seccional de Taboão da Serra montou uma das maiores operações já realizadas na cidade para prender os vereadores Arnaldo dos Santos - o Arnaldinho da Imobiliária (PSB), Carlos Andrade (PV) e José Luiz Eloi (PMDB), nesta terça-feira (3) poucos instantes antes do começo da sessão da câmara. O presidente do PV em Taboão, Milton Andrade, também foi preso pela polícia. Ele é irmão do vereador Carlos Andrade. De acordo com a polícia os sete são acusados pelos crimes de formação de quadrilha e peculato que juntos somam uma pena de até 12 anos de prisão.

Os sete presos são acusados de participação no esquema que dava baixa em tributos municipais da prefeitura de Taboão como IPTU e ISS. A polícia estima que somente no primeiro trimestre do ano o esquema desviou R$ 1 milhão dos cofres públicos municipais, mas o prejuízo total ao erário pode chegar a R$ 10 milhões. A polícia acredita que os vereadores presos recebiam 30% do valor total da dívida que era baixada do sistema.

A polícia chegou à câmara momentos antes do início da sessão. Os três vereadores presos tiveram a prisão temporária decretada por cinco dias podendo ser prorrogada por mais cinco. De acordo com o delegado Raul Godoy o vereador Carlos Andrade tentou fugir e precisou ser algemado.

Os quatro presos foram levados para a Delegacia Seccional de Taboão da Serra onde a movimentação foi intensa durante toda a noite. Eles continuam detidos.

De acordo com informações da polícia a investigação dos crimes começou em março, após a prisão de Márcio Renato Carra, preso em flagrante dando baixa em impostos dentro da prefeitura. Do computador que ele usava partiu um comando que fez desaparecer em um único dia R$ 64.777,30 em dívidas de impostos.

“Temos provas documentais adquiridas em locais diversos. Os vereadores agiam localizando as pessoas que podiam ser beneficiárias do esquema. Eles também deram baixa em impostos de parentes”, garantiu o delegado Raul Godoy. “O Eloi beneficiou três irmãos, o Arnaldinho solicitava baixa para terceiros e o Carlos Andrade chegou a baixa do IPTU do pai dele. Eles tinham certeza de impunidade”, completou.

Ele explicou que fraude ocorria no setor de dívida ativa, onde ficam registrados os devedores de tributos como IPTU e Imposto Sobre Serviços, de acordo com as investigações. Segundo o delegado Raul Godoy Neto, os vereadores ganhavam cerca de 30% dos débitos baixados.

O delegado contou que o  esquema foi detalhado por uma testemunha que assinou o depoimento com a impressão digital para não ter o nome revelado. De acordo com a polícia a  testemunha disse que o vereador Carlos Andrade procurava por ela e por outros funcionários da prefeitura. Primeiro, segundo ela, pediu a relação de empresas e pessoas físicas que constavam como os maiores devedores de IPTU.

Além do servidor preso, outros funcionários tinham senhas especiais para acessar as contas da dívida da Prefeitura de Taboão da Serra. Para descobrir quem estava à frente das fraudes, um dispositivo passou a indicar, em tempo real, de qual computador as dívidas eram apagadas.

Texto: Karen Santiago e Sandra Pereira

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