Confusão adia votação das contas de ex-prefeito

Uma confusão generalizada se instalou na sessão desta terça-feira (19) na câmara municipal de Taboão da Serra durante a apreciação das contas de 2004 do ex-prefeito Fernando Fernandes. Os vereadores passaram quase três horas em reunião na tentativa de chegar a um entendimento, mas, foi em vão. No plenário, o vereador Wagner Eckstein liderou o esforço para retirar a votação das contas do ex-prefeito da pauta até a justiça delibere sobre o recurso apresentado pela câmara, após a juíza de Taboão cancelar a sessão que reprovou as contas do prefeito. A sessão desta terça foi a mais longa do ano acabou às 23h27.

Já os vereadores Paulo Félix, Olívio Nóbrega, Eloi e Carlos Andrade ficaram na ponta oposta defendendo a apreciação das contas. Sobrou para o presidente da casa, vereador Macário, que surpreendeu  todos ao acusar o colega petista Wagner Eckstein de tentar “enganá-lo” para retirar a votação da pauta.

“Vereador Wagner, só faltou senhor me chamar de idiota, querendo fazer com que eu retire a votação da pauta. Não estou aqui fazendo nada pela minha cabeça. Estou agindo como presidente que sou, inclusive com o seu voto”, disparou Macário antes de votar a favor do pedido de vistas por 10 dias depois que a votação ficou empatada.

Antes de Macário disparar críticas contra Wagner Eckstein o vereador Paulo Félix havia dito que o pedido de retirada das contas da pauta desmoralizava a presidência da casa responsável pela elaboração da pauta. Eloi afirmou que a elaboração da pauta é premissa da presidência, mas após ela se tornar pública passa a ser instrumento do plenário, e, segundo ele, não pode ser retirada. Eloi disse ainda que a recusa de apreciar as contas poderia prejudicar o processo político na cidade, especialmente para os pré-candidatos da câmara a prefeitura.  

O embate foi o mais forte desse ano na câmara. Os vereadores mais experientes que defendiam a apreciação das contas de Fernando Fernandes mostraram novamente que conhecer bem o regimento interno faz toda diferença para desempenhar bem as funções no legislativo. “Quem não conhece o regimento compre na banca de revista e vá ler”, ironizou Carlos Andrade enquanto justificava que o pedido de retirada da votação da pauta não estava embasado no regimento interno.

O vereador Paulo Félix, líder do governo do prefeito Evilásio Farias e relator das contas de Fernando Fernandes, defendeu a votação e anunciou que deu parecer favorável a aprovação, como fez em 2007. “Não sou amigo do poder. Sou amigo da justiça das coisas corretas. Não é porque o cidadão deixou o poder que eu vou pular no pescoço dele. Essa votação simboliza o novo tempo. O vereador Wagner quer disputar a eleição sozinho e vencer no tapetão”, afirmou Paulo Félix.

Ele ainda fez um discurso pedindo aos vereadores que fizessem a votação sob pena de resgatar o clima de tensão registrado durante a campanha de 2008. Paulo Félix argumentou que o clima de guerra não favorece a nenhum dos pré-candidatos da câmara.

Os vereadores Wagner Eckstein e Alexandre Depieiri argumentavam que era preciso levar em conta a decisão da juíza que cancelou a sessão de 2007 quando a câmara rejeitou as contas do ex-prefeito. A magistrada entendeu que os vereadores não deram direito de Defesa ao ex-prefeito.

“Se votarmos sem ouvir o Fernando Fernandes vamos incorrer no mesmo erro que a justiça apontou na votação de 2007.  O ex-prefeito deveria vir a câmara explicar como conseguiu derrubar a receita da cidade nos dois últimos anos de sua gestão. Como vereador gostaria de saber dele porque isso aconteceu ”, afirmou Wagner Eckstein.

Ele não respondeu a ataque de Macário e disse a Paulo Félix que as suas campanhas sempre foram feitas de maneira simples, na rua, de porta a porta.

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