Jurados absolvem PMs em Itapecerica
O julgamento no Fórum de Itapecerica da Serra dos Policiais Militares Soldado João Bernardo da Silva e Sargento Jorge Kazuo Takiguti acusados de integrar um grupo de extermínio intitulado de “highlanders” e assassinar e decapitar Roberth Sandro Campos Gomes, o Maranhão, e Roberto Aparecido Ferreira, o Bebê, em 6 de maio de 2008, terminou à 00h10 desta sexta-feira, dia 18 de Março.
Os dois policiais militares foram absolvidos da acusação, pois os jurados não acolheram a tese da acusação realizada pelo Promotor Vitor Petri, informou a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Apesar de a defesa dos réus ter sustentado que eles são inocentes das acusações, os dois ficaram presos preventivamente desde 2009 no presídio da PM, o Romão Gomes, em São Paulo.
O processo que apura a morte de Maranhão e Bebê também aponta o envolvimento de quatro policias militares nos crimes. São réus presos: Marcos Aurélio Pereira Lima, Ronaldo dos Reis Santos, Rodolfo da Silva Vieira e Jonas Santos Bento.Bento, seria julgado nesta quinta, mas como seu advogado faltou à audiência o júri dele ocorrerá em 1º de novembro. Por esse motivo, ele, que também nega o crime, foi retirado da sala e levado ao presídio.
Os outros três policiais militares, Lima, Santos e Vieira, confessaram participação na morte de Macarrão e Bebê e serão julgados em 15 de setembro.
Julgamento
Os PMs Soldado João Bernardo da Silva e Sargento Jorge Kazuo Takiguti que pertenciam a Força Tática do 37o Batalhão da PM, na Zona Sul da capital paulista são réus (acusados) e julgados por sete jurados pela morte de Roberth Sandro Campos Gomes, o Maranhão, e Roberto Aparecido Ferreira, o Bebê, em 6 de maio de 2008. Além disso, eram acusados de integrar um grupo de extermínio formado por policiais militares do Campo Limpo, intitulado de “highlanders”, responsável por uma série de mortes em 2008.
Familiares dos PMs e das duas vítimas acompanharam todo o julgamento. Faixas a favor da absolvição dos dois acusados foram espalhadas do lado de fora do fórum.
Durante os seus interrogatórios os PMs negaram ao juiz Antônio Augusto Galvão Hristov e ao promotor Vitor Petri, pertencerem ao grupo de extermínio e envolvimento no assassinato de Macarrão e Bebê.
"Sou inocente das acusações. Sou um policial honesto e correto", afirmou Takiguti. Os policiais disseram ainda que os outros três PMs que estão presos também acusados do crime são os culpados, que, inclusive, assumiram o crime, e que eles dois estão "pagando" pelo que não cometeram.
Esse processo que segue em Itapecerica é o segundo envolvendo o grupo conhecido como "highlanders". Vieira e outros três policiais militares já foram julgados e condenados em julho de 2010 a 18 anos e oito meses de prisão pela morte de um deficiente mental. Os "highlanders" só foram identificados depois do desaparecimento dessa vítima. Ela foi vista por testemunhas sendo colocada em um carro da PM em outubro de 2008. O corpo dele foi localizado dois dias depois sem a cabeça e as mãos.
Até agora, nove réus estão presos acusados de integrar o grupo de extermínio e de matar três pessoas. O nome "highlander" surgiu em alusão ao filme estrelado por Christopher Lambert e Sean Connery na década de 80, no qual os guerreiros cortavam a cabeça de seus inimigos. Segundo a Polícia Civil, que investigou o crime, a cabeça e as mãos das vítimas eram cortadas pelos policiais militares para dificultar a identificação.
De acordo com o Ministério Público, neste processo que foi julgado nesta quinta, dia 17, os policiais eram acusados de usar um carro da PM e um carro particular para abordar as duas vítimas no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, e matá-las em Itapecerica. Eles são acusados de atar as mãos das vítimas e desferir golpes com instrumento cortante (arma branca – faca) nas suas costas e na barriga de um deles. Depois cortaram as cabeças deles. Os corpos foram achados num córrego em Itapecerica.
De acordo com a denúncia feita pela Promotoria, as vítimas foram mortas porque “estariam envolvidas em atividades espúrias [tráfico de entorpecentes] e fariam parte de uma facção criminosa”, segundo os autos apresentados no processo.
Em entrevista ao Jornal na Net a irmã de Roberth Sandro Campos Gomes, o Maranhão, Lucilandra Campo, afirmou aflita que acredita sim no envolvimento dos Policiais. “Uma pessoa de confiança me contou e eu confio nela, porque não teria porque mentir. Apesar de ele já ter passagem pela Polícia [porte de armas], meu irmão, de 19 anos, era uma pessoa boa, já trabalhou de carteira assinada, tinha uma boa conduta no trabalho e em casa”, disse.
Segundo ela, Roberth já havia sido ameaçado pelo Sargento Takiguti em frente de sua casa. “Ele [Sargento] falou que era para o meu irmão se preparar que ele ia cortar a cabeça dele. O meu irmão sempre foi o único da turma a ser abordado”, finalizou Lucilandra.
Com informações da globo.com
