Demolição de casas em área de risco em Itapecerica
Tristeza e revolta. Foi assim a quarta-feira, 17 de novembro, para os moradores do Recreio Primavera, em Itapecerica da Serra. Uma megaoperação reunindo os principais órgãos e secretárias da cidade foi realizada pela prefeitura após determinação do juiz Antônio G. de França Hristov que deu o prazo de 10 dias para a remoção de 13 residências em área de risco.
A determinação foi um desdobramento da ação civil pública proposta pelo promotor de Justiça Gustavo Albano Dias da Silva, que após reunião com a prefeitura e o dono do terreno, decidiu embasado na lei, que uma ação deveria ser feita antes do período de temporais.
De acordo com laudo do Laboratório de Riscos Ambientais do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a interdição era necessária, pois o local apresenta alto grau de risco de deslizamento. Outras 15 casas condenadas pelo IPT já haviam sido derrubadas em dezembro de 2009.
Segundo o Comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), a ação ocorreu de forma pacífica com a participação da Defesa Civil, Conselho Tutelar, Departamentos de Habitação e de Comunicação Social, além de integrantes da Autarquia de Saúde, Secretarias de Inclusão e Desenvolvimento Social, Obras e Serviços, Assuntos Jurídicos, Planejamento e Meio Ambiente e Segurança, Trânsito e Transportes. A Sabesp também esteve no local realizando o desligamento da rede de água e a Zoonoses retirou os cachorros abandonados.
“O único impasse foi no momento em que o morador de uma das casas, não aceitando a desapropriação colocou fogo em seus móveis. Outros moradores disseram que foi a prefeitura que ateou fogo e começaram a insinuar que ateariam fogo nos caminhões, juntamente com um dos integrantes do MTST que esteve no local. Mas rapidamente, após uma conversa, a ação voltou ao normal”, explicou o comandante Marques.
Além de manter a ação de forma pacifica, a GCM concedeu a pedido da prefeitura espaço na base da corporação para guardar os móveis das famílias que não puderam ser levados pelos moradores até os respectivos donos terem condição de retirá-los.
De acordo com a prefeitura, logo pela manhã, as famílias receberam a notificação para desocupação imediata das moradias, que corriam risco de desabar e foram demolidas. “Os moradores receberam instrução para irem a residências de familiares e os que não tinham opção puderam se alojar na Escola Municipal Hortência, próxima ao local, onde recebem toda atenção da Prefeitura, com atendimento médico, alimentação e alojamento. Todos foram cadastrados pela Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social e Departamento de Habitação nos programas da Administração Municipal”, afirma a nota.
Em entrevista ao Jornal na Net, o coordenador da Defesa Civil, Mauricio Rocha afirmou que em torno de 52 pessoas foram retiradas do local, sendo que 11 estão abrigadas na Escola Municipal Hortência, onde permanecerão cerca de 7 dias e o restante foi para casa de famílias e amigos. “Estes dias foram determinados, pois as pessoas conseguem neste tempo hábil, conseguir outra casa, mas que não ponha em risco sua família”, disse.
O lado dos moradores
Sem perspectiva, os moradores da área de risco apesar de saberem do perigo e lembrarem do deslizamento de terra que destruiu quatro moradias, matou quatro pessoas (três crianças com idades de 4, 5 e 9 anos e uma adolescente, de 14 anos) em dezembro de 2009, não conseguem entender o porque da ação ser realizada depois de tanto tempo.
“Se eles (prefeitura) sabiam que isso (as mortes) poderia acontecer, porque permitiram que as famílias continuassem morando aqui? Porque eles já não arrumaram um local para morarmos?”, questionava um morador.
Sem local para morar, muitos moradores afirmaram ao Jornal na Net que após a remoção, outras famílias construirão novamente outros barracos, porque aquele é o único lugar que o dinheiro permite, segundo eles.
Confira mais fotos da demolição:
Casas são demolidas após determinação do juiz
Após ação cenário é de destruição
Móveis foram retirados antes da demolição
