PMs acusados de integrar "Os Highlanders" são julgados em Itapecerica
Começou nesta quinta-feira, 29 de julho, às 10h, o julgamento no fórum de Itapecerica da Serra dos quatro policiais militares acusados de integrar um grupo de extermínio que ficou conhecido como “highlanders”. O apelido faz referencia ao fato de as vítimas, depois de mortas, serem decapitadas.
Após cerca de 12 horas, o julgamento dos quatro policiais chegou na fase final na noite desta quinta-feira. Após a primeira parte do debate, em que defesa e acusação fizeram sua sustentação oral, cada parte terá mais 1 hora e 30 minutos para réplica e tréplica. A previsão do juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov é que a sentença seja lida, após a decisão dos jurados, depois das 2h da manhã.
No interrogatório, o 3º sargento Moisés Alves Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e os soldados Anderson dos Santos Sales e Rodolfo da Silva Vieira assim como aconteceu desde os primeiros dias negaram a participação no crime. Além de negarem a acusação de que teriam adulterado documentos referentes à abordagem policial feita no dia da morte de Carlinhos.
Em sua fala, o advogado de defesa Celso Vendramini afirmou que os policiais são vítimas de revanchismo da Polícia Civil ele citou o confronto entre policiais civis e militares que ocorreu na época do inquérito, motivado por uma greve.
Vendramini disse também que seus clientes foram alvo de uma armação feita por traficantes do Jardim Capela, que teriam informado os dados do veículo em que os PMs estavam no dia da morte de Alves para incriminá-los.
Durante a exposição do promotor Vitor Petri, os PMs ficaram de cabeça baixa o tempo todo. No julgamento, o 3º sargento Santos chorou em diversas ocasiões, assim como o soldado Sales. Parentes dos policiais que acompanham o julgamento também se emocionaram e inconformados clamavam por justiça.
Desde o início do julgamento, às 10h, foram ouvidas também nove testemunhas sendo elas: cinco de defesa e quatro de acusação. Dentre as testemunhas de acusação estavam irmãos da vítima.
Crime cometido em 2008
Os acusados foram a júri popular pelo assassinato de Antônio Carlos Silva Alves, em 08 de outubro de 2008. A vítima era deficiente mental que foi confundido pelos acusados como um ladrão, segundo a denúncia. Testemunhas presenciaram quando Antônio foi abordado com uma gravata pelos policiais.
Antônio, conhecido como Carlinhos, foi sequestrado no Jardim Capela um dos bairros que formam o Jardim Ângela, bairro este que o grupo de extermínio formado por policiais atuava, assim como no Capão Redondo. Até o início de 2009, pelo menos 15 policiais militares já haviam sido presos suspeitos de envolvimento no caso.
O corpo da vítima, sem a cabeça e mãos, foi achado dois dias depois em uma área conhecida como local de desova de cadáveres de Itapecerica da Serra. Os familiares de Carlinhos reconheceram o corpo através de uma tatuagem e também de uma cicatriz.
Os PMs estão presos desde janeiro de 2009 no Presídio Militar Romão Gomes, no Jardim Tremembé (zona norte de São Paulo). Todos integrantes da Força Tática do 37° batalhão, na zona sul.
De acordo com a Polícia Civil e a Promotoria, o soldado Rodolfo Vieira era tido como chefe do grupo de extermínio, suspeito de 12 mortes em 2008, cinco foram decapitadas.
Ao todo, nove PMs (incluindo os quatro acusados) estão presos acusados de integrar o grupo “highlanders”.
A acusação contra todos eles é a mesma: homicídio duplamente qualificado, por motivo banal e sem chance de defesa da vítima.

Familiares de Carlinhos clamam por justiça durante julgamento
Com informações da Folha.com
